quinta-feira, 9 de junho de 2011

A GERAÇÃO CONDENADA DA GRÉCIA

 O artigo é de Hara Kouki.

Um ano depois de o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia terem imposto a sua própria agenda infame à Grécia, a vida aqui mudou radicalmente. 

Para quem tem entre 18 e 24 anos de idade, o mais certo é estar desempregado como 40% da sua geração. 

Quem tem trinta e poucos anos e um emprego, é provável que seja a tempo parcial e flexível. É possível que não o imagine estável e não faz ideia do tempo que irá durar. Os salários caem gradualmente, não se pode fazer greve, não podemos nos organizar de forma coletiva e nem sequer exigir que nos paguem. 

As férias estão fora de questão, 
adoecer é um risco demasiado grande 
e não é possível ter casa própria.

Os jovens gregos
não podem fazer escolhas normais na vida:
não podem planejar o presente, 
quanto mais o futuro. 

Mas dizem-lhes – e muitos sentem-no - que não podem se queixar. Afinal pertencem a uma geração condenada.

A maior parte dos gregos deixou de ver as notícias ou de pensar sobre a razão do que está acontecendo. Mas todo mundo fala entre si sobre o que está se passandop: amigos, filhos e pais, comerciantes, taxistas, professores - todo mundo diz que esta austeridade é desleal e injusta, mas também todos se sentem inseguros e receosos: ao fim e ao cabo não há nada que possam fazer. Esta nova realidade parece ter sido lançada sobre nós - quase como um fenômeno sobrenatural. 

Dizem-nos que arcamos com as culpas da crise porque "todos nós gastamos para além das nossas possibilidades" - mas os que sofrem mais sabem que não tiveram nada a ver com isto.

Ainda não se passaram 12 meses desde que esta crise começou, mas as pequenas histórias que ilustram a mudança estão sempre aparecendo: sem-teto a vasculhar os caixotes do lixo à procura de comida, amigos demitidos sem indenização ou aceitando cortes salariais, a polícia reprimindo cidadãos em protesto, escolas e hospitais que fecham, professores e médicos que perdem o emprego, jornalistas censurados, sindicalistas perseguidos, ataques racistas no centro da cidade.

Legalidade, maioria, 
democracia e igualdade começam 
a parecer palavras sem nexo.

De repente, as coisas que aconteceram há apenas um ano em lugares remotos, subdesenvolvidos – como para provar a sorte que tínhamos por pertencer à civilizada Europa - estão a acontecer agora, aqui, na Grécia. Mas os gregos não podem queixar-se, não podem reagir, porque lhes dizem que a culpa da crise é deles - mesmo quando toda a gente sabe que não pode ser apenas culpa deles.

Mas para além da cobertura midiática dominante e das declarações das elites e dos políticos, cada vez mais pessoas sentem a falta de sentido, racionalidade, justiça e liberdade na sua vida quotidiana. Alguns recusam-se a pagar taxas sobre os transportes e nos hospitais, portagens e dívidas e outros criam pequenas redes de solidariedade locais, comércio alternativo ou auto-educação nos seus bairros. 

Alguns lêem blogues e contam histórias diferentes, reconfirmando a sua dignidade com atos humildes, diários, de resistência, porque sentem a diferença entre "nós" e "eles" que nenhum meio de comunicação social ou discurso estatal consegue obscurecer.

Um povo inteiro não pode viver no isolamento, sentindo medo e culpa por muito mais tempo, encarando um futuro cheio de problemas que não podem ser resolvidos. O que o FMI e os políticos gregos sabem e receiam é que um povo oprimido possa aprender a comunicar sem falar, a avançar sem parecer que se mexe, a resistir sem resistir - gradualmente as pessoas irão descobrir-se umas às outras e perceber o que se está a passar e de quem é realmente a culpa. E depois, como aconteceu em dezembro de 2008, haverá uma reação em massa aqui na Grécia, uma reação que poderá ser violenta e que irá uma vez mais ser classificada de imprevisível e irracional.
(*) Hara Kouki é historiadora e investigadora grega
Fonte:
Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17801
Publicado originalmente no The Guardian.
Tradução de Ana Carneiro para o Esquerda.net
16/05/2011 | Copyleft

CURA DE DOENÇAS INFLAMATÓRIAS



Artigo publicado na Nature com participação de pesquisador brasileiro revela a dupla função da molécula BID em doenças do trato gastrointestinal (divulgação)
Especiais

Agente duplo

Por Mônica Pileggi

– Um estudo publicado na revista Nature pode ser o ponto de partida para a cura de doenças inflamatórias do trato gastrointestinal, como a colite ulcerativa e a doença de Crohn.

O artigo, que tem como segundo autor um pesquisador brasileiro, descreve o duplo papel da proteína BID, capaz de modular eventos a favor e contra a apoptose (morte celular programada).

“No processo de morte celular, a molécula BID é clivada pela enzima caspase-8, a qual ativa a ação pró-apoptótica de BID, levando a danos na mitocôndria que culminam no encolhimento celular e condensação da cromativa, eventos que caracterizam a apoptose”, disse Ricardo Corrêa, pesquisador sênior do Sanford-Burnham Medical Research Institute, à Agência FAPESP.

No entanto, o que este novo trabalho demonstra é que, ao interagir com as proteínas NOD1 e NOD2 (Nucleotide-binding Oligomerization Domain-containing, na sigla em inglês), a BID mostra um comportamento de regulação da resposta imune, de modo a permitir a sobrevida celular.

“Trata-se de um modulador que participa simultaneamente de mais de um evento celular. Apoptose, resposta imune e inflamação são eventos que, a princípio, pensávamos não ter relação alguma entre eles, mas observamos que estão intimamente interligados”, disse.

O corpo humano é composto por diversos tipos de moléculas cuja concentração é maior na porção abdominal do trato gastrointestinal, entre elas as proteínas NOD1 e NOD2.

Essa região é suscetível a doenças inflamatórias crônicas, como a colite ulcerativa e a doença de Crohn. Segundo Corrêa, os NODs desempenham um papel importante na resposta imunológica, pois estimulam a síntese de citocinas pela ativação da via de sinalização NF-kapaB, auxiliando na destruição do patógeno invasor.

“Ao penetrar nas células saudáveis do corpo, as bactérias – gram-positivas e negativas – dão início a um processo infeccioso. E, para fazer com que as células sobrevivam à infecção, as NODs 1 e 2 iniciam um contra-ataque, ativando uma cascata de sinais para a produção de citocinas e, assim, proteger as células”, explicou.

Produção de BID
Graduado em Farmácia-Bioquímica pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), com doutorado pelo Instituto de Química da USP – para o qual contou com Bolsa da FAPESP –, o pesquisador está desde 2007 em San Diego.

O novo estudo de Corrêa, realizado em parceria com cientistas da Universidade McGill, no Canadá, teve como proposta inicial identificar genes potenciais para modular a ativação de NOD1, cuja produção está associada a algumas doenças inflamatórias no intestino.

No processo de identificação, o grupo utilizou dados de uma biblioteca de RNAi (RNA de interferência) com mais de 7 mil genes humanos. Desse total, foram realizadas triagens e análises dos dados até chegar a BID, uma proteína pertencente à família BCL2. Ao manipular a expressão de BID in vitro, os cientistas observaram que essa proteína endógena também é essencial para manter a via de NOD1 e NOD2 ativa.

“Observamos que, ao excluir BID do processo de modulação, a atividade dos NODs é afetada, pois sua ação é inibida”, destacou o cientista brasileiro.
Os pesquisadores, no entanto, verificaram que, dependendo do grau da infecção, a ativação dessas enzimas também pode ter um papel indesejado sobre as células. 

“Em infecções graves, 
a produção de citocinas acaba se prolongando 
por muito mais tempo. Esse excesso de substâncias
de proteção pode causar efeitos pró-inflamatórios 
crônicos e provocar a morte celular”, disse.

Para promover a melhora desejada nos portadores de doenças inflamatórias do trato grastrointestinal, os pesquisadores buscam agora entender o mecanismo de ação de BID sobre a via de NOD1 e NOD2.

De acordo com Corrêa, o grupo espera agora produzir BID in vitro e, por meio da biologia estrutural, localizar os sítios de interação que formam o complexo entre os NODs e a proteína.

O artigo Non-apoptotic role of BID
in inflammation and innate immunity (doi:10.1038/nature09982), 
de Ricardo Corrêa e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em
 
Fonte:
Agência FAPESP
http://agencia.fapesp.br/13981-03/06/2011
Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres.
Sejam abençoados todos os seres.

O PREÇO DE NÃO ESCUTAR A NATUREZA - Leonardo Boff




O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.


Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.

A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d'água.

Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

Leonardo Boff - Teólogo, filósofo e escritor

    PazBem     
     
Radeir
 Amor
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ensinando Ciência com Arte - 1


Enviado por em 01/03/2011

Ensinando Ciência com Arte: Luz, Trevas e o Método Científico (Parte 1 de 7)

Temática: A História da Ciência
Direção: Leopoldo de Meis
Fonte: Instituto de Bioquímica Médica - Laboratório de Bioenergetica - UFRJ

Categoria:Educação

Palavras-chave:

Licença: Licença padrão do YouTube

Ensinando Ciência com Arte - 1


Enviado por em 01/03/2011

Ensinando Ciência com Arte: Luz, Trevas e o Método Científico (Parte 1 de 7)

Temática: A História da Ciência
Direção: Leopoldo de Meis
Fonte: Instituto de Bioquímica Médica - Laboratório de Bioenergetica - UFRJ

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

OCEANOS ESCONDIDOS SOB A TERRA


Oceanos podem estar escondidos sob a crosta da Terra, indica estudo

O planeta Terra
Cientistas dizem que poderia haver mais água 
sob o fundo do mar do que em todos os oceanos juntos

Um estudo que mediu a eletrocondutividade no interior do planeta indica que talvez haja imensos oceanos sob a superfície da Terra.
A água rica em sais minerais ionizados é um condutor extremamente eficiente de eletricidade.

Por isso, cientistas da Oregon State University, nos Estados Unidos, acreditam que altos níveis de condutividade elétrica em partes do manto terrestre - região espessa situada entre a crosta terrestre e o núcleo - poderiam ser um indício da presença de água.

Os pesquisadores criaram o primeiro mapa global tridimensional de condutividade elétrica do manto. Os resultados do estudo foram publicados nesta semana na revista científica Nature.

As áreas de alta condutividade coincidem com zonas de subducção, regiões onde as placas tectônicas - blocos rígidos que compõem a superfície da Terra - entram em contato e uma, geralmente a mais densa, afunda sob a outra em direção ao manto.

Geólogos acreditam que as zonas de subducção sejam mais frias do que outras áreas do manto e, portanto, deveriam apresentar menor condutividade.
"Nosso estudo claramente mostra uma associação próxima entre zonas de subducção e alta condutividade. A explicação mais simples seria (a presença de) água", disse o geólogo Adam Schultz, coautor do estudo.

Mistério geológico
Se a água não estiver sendo empurrada para baixo pelas placas, seria ela primordial?
(Estaria) lá embaixo há bilhões de anos?
E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos?
Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas.
Adam Schultz, coautor do estudo
Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas não sabem ao certo quanta água existe sob o fundo do mar e quanto dessa água chega ao manto.

"Na verdade, não sabemos realmente 
quanta água existe na Terra", 
disse um outro especialista envolvido no estudo, o oceanógrafo Gary Egbert. 

"Existem alguns indícios 
de que haveria muitas vezes mais água 
sob o fundo do mar do que em todos 
os oceanos do mundo combinados."

Segundo o pesquisador, o novo estudo pode ajudar a esclarecer essas questões.

A presença de água
no interior da Terra
teria muitas possíveis implicações.

A água interage com minerais de formas diferentes em profundidades diferentes. Pequenas quantidades de água podem mudar as propriedades físicas das rochas, alterar a viscosidade de materiais presentes no manto, auxiliar na formação de colunas de rocha quente e, finalmente, afetar o que acontece na superfície do planeta.

E se a condutividade revelada pelo estudo for mesmo resultado da presença de água, o próximo passo seria explicar como ela chegou lá.

"Se a água não estiver sendo 
empurrada para baixo pelas placas, 
seria ela primordial? 

(Estaria) lá embaixo há bilhões de anos?", 
pergunta Schultz.

"E se foi levada para baixo à medida que as placas lentamente afundam, seria isso um indício de que o planeta já foi muito mais cheio de água em tempos longínquos? Essas são questões fascinantes para as quais ainda não temos respostas".

Os cientistas esperam, no futuro, poder dizer quanta água estaria presente no manto, presa entre as rochas.

Este estudo teve o apoio da Nasa,
a agência espacial americana.
Fonte:
BBC - Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/08/090820_agua_terra_mv.shtml
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Carl Gustav Jung (Psicologia Analítica) Entrevista Port


Enviado por em 08/04/2007

Entrevista com Carl Gustav Jung, com Legenda em Português.




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