sábado, 6 de fevereiro de 2010

CORPOS CELESTES

 
CORPOS  CELESTES
  

 IC 1396 a cores


Crédito: Russell Croman.
Russell Croman obteve esta espectacular imagem do complexo IC 1396 a partir do seu observatório no Texas, Estados Unidos da América (http://www.rc-astro.com/ ).

Nela são visíveis o aglomerado de estrelas e a respectiva nebulosidade envolvente, sendo de particular destaque a nebulosa "Tromba de Elefante", visível na parte central, em baixo. Esta nebulosa é um glóbulo escuro de gás e poeira que se encontra em processo de erosão devido à radiação emitida pelas estrelas envolventes. Muitos outros glóbulos são visíveis na imagem, aparecendo como manchas escuras contra o fundo brilhante. Para a obtenção desta imagem foram usados filtros para captar a luz proveniente de enxofre, hidrogénio e oxigénio.

Henize 206


Crédito: V. Gorjian (JPL), JPL, Caltech, NASA.
Telescópio: Spitzer Space Telescope.

Esta é uma imagem de infravermelho em cor falsa obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer da zona de formação de estrelas Henize 206. Este berçário de estrelas fica situado na nossa galáxia vizinha Grande Nuvem de Magalhães. Estrelas recentemente formadas aparecem envoltas em poeira e gás. Na parte de cima da imagem é ainda visível um remanescente de uma supernova. A sua proximidade revela que a explosão da estrela que lhe deu origem despoletou a formação de uma nova geração de estrelas através da compressão do gás e da poeira, dando assim continuidade ao ciclo de vida e morte das estrelas. A Grande Nuvem de Magalhães situa-se a cerca de 170000 anos-luz de distância. A esta distância, esta imagem cobre uma extensão de cerca de 1000 anos-luz. 
 
  

Nebulosa NGC 6559


Crédito: Adam Block (KPNO Visitor Program), NOAO, AURA, NSF.

A nebulosa NGC 6559 é um exemplo magnífico dos efeitos que podem resultar da mistura de gás e poeira interestelares: emissão, reflexão e absorção. O gás é formado essencialmente por hidrogénio e é o responsável pelo brilho avermelhado característico das nebulosas de emissão. Os tons azulados resultam da maior reflexão da luz azul por parte dos grãos de poeira que preenchem o espaço entre as estrelas. As zonas escuras, algumas com formas bem peculiares, são o resultado da absorção da luz visível por parte deste mesmos grãos. NGC 6559 situa-se a cerca de 5000 anos-luz de distância na direcção da constelação do Sagitário.
 

Galáxia espiral NGC 4631


Crédito: Raios-X: NASA/CXC/UMass/D.Wang; Óptico: NASA/HST/D.Wang.
Telescópio: Chandra & HST.

Esta imagem mostra a região central da galáxia espiral NGC 4631 tal como ela é vista através do telescópio de raios-X Chandra e do Telescópio Espacial Hubble. Os dados do Chandra, representados a azul, fornecem a primeira evidência da existência de um halo de gás quente em volta de uma galáxia muito semelhante à Via Láctea. A estrutura situada ao longo da imagem representada a vermelho corresponde à emissão detectada pelo Hubble. Esta emissão é proveniente do conteúdo estelar da galáxia que é aqui vista de perfil. A observação desta e de outras galáxias fornece pistas importantes acerca da estrutura da nossa própria galáxia.
  

Marte - Verão no Pólo Sul


Crédito: NASA/JPL/Malin Space Science Systems.
Telescópio: Mars Global Surveyor (NASA).
Instrumento: Mars Orbiter Camera (MOC).
 
Esta fotografia obtida pela sonda Mars Global Surveyor em Abril de 2000 mostra o aspecto do Pólo Sul de Marte durante o Verão. Se fosse Inverno ou início da Primavera, toda esta imagem estaria coberta de gelo. Embora se trate de uma imagem obtida durante o Verão, observações efectuadas pelas sondas Viking na década de 70 mostraram que o Pólo Sul de Marte se mantém suficientemente frio para conservar um manto de gelo de dióxido de carbono. O dióxido de carbono congela a temperaturas de cerca de -125ºC. A cena é iluminada pelo Sol, que se põe na direcção do canto superior esquerdo da imagem, e o diâmetro da calote polar é de cerca de 420 quilómetros.
  

Estrela eruptiva V838 Monocerotis

2010-01-29

Crédito: NASA & The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).
Telescópio: Hubble Space Telescope (NASA/ESA).
Instrumento: Advanced Camera for Surveys (ACS).

Esta sequência de imagens obtidas entre Maio e Dezembro de 2002 evidencia as diferenças aparentes na poeira circum-estelar à medida que diferentes partes da nebulosa são iluminadas sequencialmente. Este efeito é denominado de "eco de luz". Desde a primeira até à última fotografia, o diâmetro aparente da nebulosa parece inchar de 4 para 7 anos-luz, criando a ilusão de que a poeira está expandindo-se para o espaço a uma velocidade superior à velocidade da luz. Na verdade, as camadas de poeira não estão expandindo-se, mas é simplesmente a luz do flash estelar que varre a nebulosa. As cores diferentes na nebulosa reflectem alterações na cor da estrela durante a sua erupção. A estrela vermelha no centro é uma estrela supergigante eruptiva, V838 Monocerotis, localizada a cerca de 20 000 anos-luz, na constelação do Unicórnio. Aquando da erupção, a estrela tornou-se cerca de 600 000 vezes mais brilhante que o nosso Sol! As zonas escuras à volta da estrela são regiões do espaço em que há cavidades na nuvem de gás e poeira interestelares.
 

NGC 3372 - Nebulosa da Quilha


Crédito: Nathan Smith, University of Minnesota/NOAO/AURA/NSF.
Telescópio: Curtis Schmidt - CTIO.

Esta imagem mostra uma enorme região de formação de estrelas do céu do hemisfério Sul conhecida por nebulosa da Quilha (do Navio). A imagem foi obtida combinando luz proveniente de emissão de oxigénio (azul), hidrogénio (verde) e enxofre (vermelho). Esta nebulosa é um bom exemplo da forma como estrelas maciças destroem as nuvens moleculares das quais elas nascem. A estrela no centro da imagem é Eta Carina, uma das estrelas de maior massa e luminosidade que se conhecem. Esta estrela, tendo atingido o fim da sua vida, tem vindo a ejectar para o espaço quantidades enormes de gás e poeira, criando grande instabilidade no meio envolvente.
  

Lua de Agosto


Crédito: Pedro Mota
Telescópio: Refractor TMB 105mm f/6.2
Instrumento: Canon EOS 300D
 
Esta imagem da nossa Lua foi obtido no passado dia 8 de Agosto, quando esta tinha passado há pouco pela fase de Minguante. Quando a imagem foi capturada, pouco menos de 50% da sua face estava iluminada. O amador português Pedro Mota utilizou um refractor apocromático e uma câmara SLR digital para registar o nosso único satélite natural pouco depois de ele ter aparecido no horizonte. Por esta razão a imagem apresenta um tom amarelado, causado por efeitos atmosféricos. Na zona do terminador, que é a linha que separa a parte iluminada da zona de sombra são visíveis várias cadeias de montanhas e crateras, sendo possível ver na zona de sombra os picos mais altos ainda iluminados pela luz do Sol razante.

 
Fonte: Portal do Astrônomo -Portugal
http://www.portaldoastronomo.org/

Produzido por:
 

domingo, 31 de janeiro de 2010

ÓPERA DE RUA - AUTO DO PESADELO DOM BOSCO - JORGE ANTUNES



Car@s amig@s:

O Maestro Jorge Antunes terminou a composição da ópera de rua Auto do Pesadelo de Dom Bosco.

Os ensaios e as apresentações acontecerão na primeira e segunda semanas de fevereiro.
O sucesso da estreia no dia 12 de fevereiro, foi estrondoso.

A vida imita a arte e alguns dos personagens, condenados na ópera, foram presos na vida real logo em seguida.

O povo filmou algumas das cenas primorosas e divertidas. Veja em:
 
http://www.youtube.com/watch?v=ezuyaFAFci0&feature=youtube_gdata
http://www.youtube.com/watch?v=x5IhCdzVwLE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=hnu-impBFdA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=_1Q-TwkNSV8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=i5Rz5aejXLQ&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=8Xbzm8mtSBs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=GcCzaji59uU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=hnu-impBFdA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=fn3qPJwpmvY
http://www.youtube.com/watch?v=_1Q-TwkNSV8&feature=related

SERVIÇO:
Auto do pesadelo de Dom Bosco
Ópera de rua, em um ato, de Jorge Antunes
Câmpus da Universidade de Brasília,
em frente à Casa do Professor

12 de março de 2010, 16 horas
Entrada franca
Classificação etária: livre
AUTO DO PESADELO DE DOM BOSCO
   (Ópera de Rua, em um ato)


música e libreto de Jorge Antunes


Cenário:


Mesa, à qual se sentará o Juiz Voxprópolis.
Este estará munido de um martelo de madeira.
Um engradado, representando as celas de uma prisão.

Personagens:


Meirinho, ator
Juiz Voxprópolis, ator-cantor
Burgomestre Leo Bardo Pro-Dente, tenor
Monarca Xaró Parruda, barítono
Suserano Paul Batávio, tenor
Ioarrín Kouriz, Rei do Gado, Senhor da Bezerra d'Ouro, barítono
Reverendo Júnior Embromélli, barítono
Reverendo Benedictus Dormindo, barítono
Gran Vizir Ben no Início Tavares, barítono
Príncipe Augustus Baralho, tenor
Bruxa Ouvides Grito, mezzo-soprano
Vassalo O Vilão Aires, tenor
Vassalo Rogê Rolíces, tenor
Vassalo Borval da Bóza, barítono-baixo
Truão Pônei Nêmer, tenor
Coro do Povo (entre 15 e 20 pessoas, homens e mulheres)


ATO ÚNICO


Meirinho (em tom solene) -
             O Senhor Juiz Voxprópolis! Todos de pé!


Juiz Voxprópolis (entrando, sentando-se à mesa) -  

                            Cada um aqui trazido,
                            essa gente toda presa,
                            vê o povo enfurecido
                            assustado de surpresa.

                            A revolta é algo novo,
                            a Justiça é chama acesa.
                            Defendemos este povo,
                            esta massa indefesa.

                            Não seremos extremados
                            dirigindo esta mesa.
                            Eu garanto aos acusados
                            o direito de defesa.

                            Dou agora a marretada.
                                    (bate com o martelo na mesa)
                            Veredito, vem após.
                            A palavra então é dada
                            para cada um de vós.


Meirinho – O primeiro acusado, desonesto e indecente: Burgomestre Leo Bardo Pro-Dente!


Coro do Povo –     Burgomestre é prudente,
            gosta de por nossa grana na meia.
            Isso é coisa indecente,
            ele merece é ir pra cadeia,
                    cadeia, cadeia, cadeia, cadeia, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -    Silêncio!


Burgomestre
Leo Bardo Pro-Dente -      
                    Essa gente me maltrata,
                    essa gente pisoteia.
                    Não mereço a chibata,
                    não mereço a cadeia.

                    Vejo tanto manifesto,
                    essa gente alardeia.
                    Eu não roubo, sou honesto,
                    eu não tomo coisa alheia.

                    O monarca me chamou,
                    fui no canto da sereia.
                    Um esperto me filmou
                    e a coisa ficou feia.

                    A minh'alma é pura e bela,
                    tenho sangue bom na veia.
                    Sou prudente com cautela,
                    causa justa me norteia.

                    Minha conta lá no banco
                    tem milhões, está bem cheia.
                    Só trabalho. Sou bem franco:
                    Pouca grana pus na meia.

Meirinho – 
           Eis mais outro acusado, o da sujeira graúda:
           o Monarca Xaró Parruda!

Coro do Povo –  

            Este Rei Xaró Parruda
            pega dinheiro, gorjetas e agrados.
            Do poder jamais desgruda,
            ele merece trabalhos forçados,
                    forçados, forçados, forçados, forçados, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) - 
                    Silêncio!


Monarca Xaró Parruda -       
                    Eu venci de modo fácil,
                    eu cheguei como um ciclone.
                    Cada pobre no palácio
                    ganha leite e panetone.

                    Nem aqui e nem na China
                    vai ter lei que me destrone.
                    Com a grana da propina
                    distribuo panetone.

                    Quando eu falo pro povão
                    eu rebento o microfone.
                    Cada pobre é como um cão
                    esperando um panetone.

                    Quando o pobre vê promessa
                    bota a boca no trombone.
                    Distribuo bem depressa
                    um montão de panetone.

                    Mesmo assim com a tortura,
                    mesmo que eu decepcione,
                    vou mudar a conjuntura
                    com meu choro e o panetone.


Meirinho –

             Eis o outro acusado leviano:
             Paul Batávio, o Suserano!


Coro do Povo –   
            Paul Batávio, o Suserano,
            em cada feito ganhou comissão.
            Isso é coisa de tirano,
            ele merece é ir pra prisão,
                    prisão, prisão, prisão, prisão, prisão, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -  
                    Silêncio!

Suserano Paul Batávio -       
                    Sou um grande construtor,
                    eu não sou um cafajeste.
                    Meu reinado é puro amor,
                    sou um líder inconteste.

                    Nesta terra bruta eu fiz
                    prédios rumo ao céu celeste.
                    Todo mundo agora diz:
                    Viva o Rei do Centro-Oeste!

                    Eu não quero essa peleja
                    que parece um faroeste.
                    Que o povo me eleja
                    pra fazer o Noroeste.

                    Em respeito a seu protesto,
                    que essa gente faça o teste:
                    poderei lhes dar o resto
                    da propina que me reste.


Meirinho
           Eis mais um acusado, figura perniciosa: 
            o Vassalo Borval da Bóza!


Coro do Povo –  
            O vassalo cineasta,
            lá no passado já foi delegado.
            É preciso dar um basta,
            ele merece ficar enjaulado,
                    enjaulado, enjaulado, enjaulado, enjaulado, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -  
                    Silêncio!


Vassalo Borval da Bóza -       
                    Eu servi ao Rei antigo,
                    trabalhei com a cambada.
                    Novo Rei ficou comigo,
                    se meteu em enrascada.

                    Eu cansei do populista,
                    apoiando a cachorrada.
                    Resolvi virar artista,
                    cineasta da moçada.

                    Deputado como ator,
                    muita cena debochada,
                    Filmei podres do pastor
                    e também da deputada.

                    Exibí podres do Rei
                    e dos sérios de fachada.
                    Os canalhas dedurei:
                    delação bem premiada.


Meirinho
           Eis mais outro acusado, que no roubo não é calouro:
           Ioarrín Kouriz, Rei do Gado, Senhor da Bezerra d'Ouro!


Coro do Povo –   
            Desse Rei conheço o jogo,
            as artimanhas e habilidades.
            É famoso o demagogo,
            ele merece ir pra trás das grades,
                    das grades, das grades, das grades, das grades ...

Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) - 
                     Silêncio!


Iaorrín Kouriz -          
                    No meu gado ninguém toca.
                    Por que essa acusação?
                    Vocês fazem só fofoca
                    do bezerro de um milhão.

                    Eu adoro este meu povo:
                    ele sempre tem razão.
                    Eu me sinto ainda novo
                    pra enfrentar nova eleição.

                    Meu discurso, em cada estrofe,
                    vai empolgar a multidão.
                    Se eu perder é catrastófe,
                    se eu ganhar é salvação.

                    Eu envio aos inimigos
                    meu abraço e meu perdão.
                    Aos amigos mais antigos
                    mando beijo ao coração.


Meirinho - 

            Eis agora a feiticeira cheia de delito:
            a Bruxa Ouvides Grito!


Coro do Povo –    
            Essa bruxa é uma cobra,
            até parece serpente rasteira.
            Ela é cheia de manobra,
            ela merece é ir pra fogueira,
                    fogueira, fogueira, fogueira, fogueira, ...

Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -  
                    Silêncio!


Bruxa Ouvides Grito -     
                   Vocês pensam que sou bruxa.
                    Toda gente, nessa orgia,
                    logo fala, desembucha:
                    sou a voz da maioria!

                    Eu fui uma professora,
                    forte fui na Academia.
                    Eu cheguei a ser Doutora,
                    eu vivi muita alegria.

                    Na política eu entrei,
                    abracei a burguesia.
                    A carreira acabei
                    pra fazer demagogia.

                    Defendi Educação,
                    já sonhei com utopia.
                    Comecei na religião,
                    acabei na vilania.

                    A verdade vem depois:
                    candidata em agonia
                    logo enche o caixa-dois
                    e a vergonha logo esfria.

                    Não sou ave de rapina!
                    Pra que tanta rebeldia?
                    Na bolsa, pouca propina.
                    Muito pouco eu recebia.


Meirinho – 
                 Eis outro réu, vergonha que fala sorrindo: 
                 o Reverendo Benedictus Dormindo!


Coro do Povo –    
            Benedictus esperto,
            tá envolvido e tá encrencado.
            Foi agora descoberto,
            ele merece ver o sol quadrado,
                    quadrado, quadrado, quadrado, quadrado, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) - 
                      Silêncio!


ReverendoBenedictus Dormindo -   
                    Pra que tanta indisciplina?
                    Não tô no mundo da lua!
                    Falam que ganhei propina,
                    dizem que eu fiz falcatrua.

                    Pensei que ninguém sabia
                    da verdade nua e crua.
                    Descobriram porcaria,
                    mas a luta continua.

                    Mas ficou muito bonito
                    o asfalto desta rua.
                    Mas será o benedito?
                    E a luta continua!

                    Com a força da igreja
                    a maldade só recua.
                    Canto em dupla sertaneja
                    e a luta continua!


Meirinho – 
           Outro réu! Da serpentte eu ouço o chocalho:
            Príncipe Augustus Baralho!

Coro do Povo – 
            Deste sempre ouvi falar,
            conversa mole eu vejo, eu ouço.
            Ele vai se desculpar,
            mas merece ir pro calabouço,
                    calabouço, calabouço, calabouço, calabouço, ...

Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -
                    Silêncio!

Príncipe Augustus Baralho
                   Não estou neste atoleiro,
                    não mereço esse tranco.
                    Meu contato com dinheiro
                    teve início lá no banco.

                    Eu mudei de atitude,
                    mas agora eu sou bem franco:
                    não entendo de Saúde,
                    mas ganhei um cheque em branco.

Meirinho – 
            Outro acusado, mestre das sem-vergonhices: 
            o Vassalo Rogê Rolíces!

Coro do Povo –   
            Este veio de repente,
            sempre aprovando projetos furados.
            É um mero conivente,
            ele merece trabalhos forçados,
                    forçados, forçados, forçados, forçados, ...

Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) - 
                        Silêncio!


Vassalo Rogê Rolíces -  
                    Quê que é isso? E o meu boneco?
                    Vou ter que jogar no ralo?
                    Companheiro de boteco,
                    sou fiel, eu sou vassalo.

                    Todos querem me cassar:
                    não vou mais cantar de galo.
                    Vou então ter que cortar
                    o meu rabo-de-cavalo.

                    Eu pensei que o recesso
                    fosse um ótimo intervalo.
                    Do mandato me despeço,
                    pois o povo vai cassá-lo.


Meirinho – 
            Outro acusado vamos ouvir:
            o mestre em ações irregulares, 
            Gran Vizir Ben no Início Tavares!


Coro do Povo – 
            Esse até já confessou,
            vimos aquela vergonha no vídeo.
            Sua história acabou,
            ele merece é ir pro presídio,
                    presídio, presídio, presídio, presídio, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -  
                      Silêncio!


Gran Vizir

Ben no Início Tavares -    
                    Moça de cabeça oca
                    lá no barco ancorado.
                    Ela então caiu de boca,
                    eu fiquei bem sossegado.

                    A barcaça afundou,
                    não pude sair a nado.
                    Ela nem soube que sou
                    um honesto deputado.

                    As propinas que ganhei
                    foi pra gente do meu lado.
                    Escrevi bastante lei.
                    Eu não posso ser julgado.

Meirinho
           Um bobo da corte é acusado de ladrão:
           Pônei Nêmer, o Truão!


Coro do Povo –   
            Conhecemos o truão,
            bobo da corte bastante maroto.
            Conhecido espertalhão,
            ele merece é ir pro esgoto,
                    esgoto, esgoto, esgoto, esgoto, esgoto, ...


Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -  
                     Silêncio!


Truão Pônei Nêmer -    
                    Nem à toa, nem boêmio,
                    aderi ao banditismo.
                    Logo então me deram prêmio:
                    me confiaram o Turismo.

                    Todos somos bons guerreiros,
                    pra que tanto fanatismo?
                    Eu espero, companheiros,
                    que respeitem meu cinismo.

                    Todos entram na bolada,
                    por que tanto moralismo?
                    Roubei pouco, quase nada,
                    Vamos sem radicalismo.


Meirinho – 
              Eis o próximo réu.
              É um prazer acusá-lo:
              o Vilão Aires, um Vassalo!


Coro do Povo –   
            O baixinho tem propina,
            lá na cueca e no paletó.
            Completemos a faxina,
            Ele merece ir pro xilindró,
                    xilindró, xilindró, xilindró, xilindró, ...

Juiz Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) -    Silêncio!


Vassalo O Vilão Aires -      
                    Neste conto-do-vigário
                    sou do time dos frangotes.
                    Pra me verem no cenário
                    só subindo nos caixotes.

                    Sei que o roubo não é pouco,
                    assistí dos camarotes.
                    Fui vassalo do Rei louco
                    e do outro que deu lotes.

                    Eu andei bem escondido,
                    eu sumi dos holofotes.
                    Me filmaram constrangido
                    com propina em pacotes.


Meirinho – Um acusado religioso, com sujeira à flor da pele: Reverendo Júnior Embromelli!


Coro do Povo – 
            Embromelli, Embromelli,
            faz oração quando ganha propina.
            Mesmo que ele reze e apele,
            ele merece é ir pra latrina,
                    latrina, latrina, latrina, latrina, ...

Juiz Voxprópolis Voxprópolis (gritando, interrompendo o povo) - 
                       Silêncio!

Reverendo Júnior Embromelli -  
                    Meus irmãos, povo querido,
                    sou um grande homem de bem.
                    Se me chamam de bandido
                    digo amém, amém, amém.

                    A oração que faço agora
                    não me rende um vintém.
                    Mas se a grana vem na hora
                    digo amém, amém, amém.

                    Quando faço a oração
                    sem propina, sou ninguém.
                    Se me pagam comissão
                    digo logo: amém, amém!

                    Não mereço pontapé,
                    a propina me faz bem.
                    É o dízimo da fé
                    que me faz dizer: amém!


Juiz Voxprópolis -         
                    Nós ouvimos bem atentos
                    preleções de cada réu.
                    Percebi tristes momentos
                    de uma torre de babel.

                    Muitos chegam ao cinismo
                    de entrarem num papel
                    de assumido banditismo,
                    e de roubo a granel.

                    Um lançou forte veneno
                    como feia cascavel.
                    Outro fala, obsceno,
                    de uma prática infiel.

                    Tem até dissimulado,
                    que antes do papel cruel
                    já havia envergonhado
                    violando o painel.

                    Eu condeno o bando novo,
                    criminosos de aluguel
                    cá trazidos pelo povo
                    que não teme o tropel.

                    Todo o povo desta aldeia
                    bem merece um lauréu.
                    Os réus vão para a cadeia,
                    pro povo eu tiro o chapéu.


Coro do Povo -         
                    De pé, cidade envergonhada!
                    Seu povo quer paz e honestidade.

                    Esta cidade
                    da inovação,
                    quer civilidade,
                    quer libertação.

                    Contra o desmando,
                    a exploração,
                    fora o bando
                    da corrupção!

                    Vamos além!
                    Seja onde for,
                    prendam também
                    o corruptor.

                    Nossa cidade
                    especial,
                    quer igualdade
                    e justiça social.

(não cai o pano, porque na rua não tem panos, nem nada por baixo dos panos:
só nos gabinetes tem coisas por baixo dos panos)


FIM
?






  
O desenhista Jô Oliveira fez desenhos dos personagens, inspirados nas misteriosas 
figuras de Hieronymus Bosch.Veja as ilustrações no mesmo site em que está o libreto da ópera: