segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PABLO PICASSO : TOURO INDOMÁVEL

Polêmico, excêntrico, sedutor incansável, genial, Picasso personifica o exagero. Não foi por acaso que ele se tornou o maior pintor modernista - e conseguiu isso ainda em vida

por Veronica Stigger
Ele é o senhor do modernismo. Mas tem nome de barão do Antigo Regime: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Crispin Crispriano Santísima Trindade Ruiz Picasso. Exageros, aliás, marcam a biografia do pintor espanhol, talvez o maior artista do século 20. Em 91 anos de vida, Picasso produziu 36 mil trabalhos, uma média de um trabalho por dia – se tivesse começado a pintar no berço. Em 1914, aos 33 anos, já era milionário e, ao morrer, tinha mais dinheiro do que qualquer outro pintor jamais sonhou.

Teve meia dúzia de mulheres oficiais, que serviram de combustível – explosivo, diga-se – para as suas obras. Todos os seus relacionamentos terminaram em escândalos memoráveis. É, Picasso não é alguém que se explique. O melhor é ele mesmo se explicar.

História – Por que você carrega esse trompete e esse revólver?
Picasso – Como pode ignorar que sou trompetista? Há muito exerço essa arte. Quando fazia as ilustrações para As Metamorfoses, de Ovídio, na década de 30, sempre anunciava que havia acabado outra gravura com o meu trompete. Punha-me à janela da minha casa e entoava Ta-ta-ti, ta-ta-ti, ti-ta-ta, ti-ta-ta... E o meu editor, que trabalhava na casa bem ao lado, aparecia imediatamente.

E o revólver?
Ganhei do Alfred Jarry [dramaturgo, autor de Ubu Rei]. Sempre levava o revólver comigo. E ele já me foi bastante útil. Quando era jovem, uns amigos alemães vieram me visitar na Itália e me levaram para jantar com eles. Aceitei, mas o programa começou a se prolongar muito, mais do que eu queria. Eles não me deixavam ir embora, sempre dizendo que me admiravam muito. Até que saquei o revólver e dei uns quatro tiros na parede. Eles fugiram apavorados e me deixaram sozinho. Era o que eu queria.

Você é sempre assim tão passional?
Não há em mim nenhuma serenidade. Só amo e odeio. Quando amo uma mulher, esse amor depedaça absolutamente tudo – e principalmente a minha pintura. Todo mundo me critica porque tenho coragem de viver a minha vida, destruindo mais do que outros, talvez, mas também com mais integridade e mais verdade.

Falando em mulheres, seus muitos relacionamentos foram sempre conturbados. O que você pensa delas?
Para mim, só há duas espécies de mulher: deusas ou capachos. Cada vez que mudo de mulher, deveria queimar a precedente. Assim, me veria livre delas. Não as teria por aí, todas, a me complicarem a vida. E, depois, isso me restituiria talvez a juventude. Mata-se a mulher e apaga-se o passado. A cada nova mulher, parece nascer um novo modo de pintar. Pinto como outros escrevem a autobiografia. Os meus quadros, acabados ou não, são as páginas do meu diário e, como tal, são sempre válidos.

Quando você começa uma nova obra sabe exatamente onde quer chegar?
Se soubesse exatamente o que se vai fazer, para que fazê-lo?

Mas imagino que você tenha uma idéia em mente quando começa a pintar.
A pintura é mais forte do que eu. Obriga-me a fazer o que ela deseja. Para saber o que se quer desenhar, é preciso começar. Se surge um homem, faço um homem. Se surge uma mulher, faço uma mulher. Existe um ditado espanhol: “Se tem barba, é homem; se não tem, é mulher”. Esse ditado é formidável, não é mesmo? Quando estou diante de uma folha em branco, ele passa o tempo todo por minha cabeça.

E se, diante da folha em branco, nenhuma inspiração lhe vem?
Um amigo de meu pai sempre dizia: “Quando você não estiver vendo nada, ponha preto na tela”.

Se a pintura é mais forte do que você, o artista não é tão livre quanto se julga.
O pintor não escolhe. Há formas que se impõem a ele. Vêm, às vezes, de uma hereditariedade cuja origem é mais antiga do que a vida animal. Façamos nós o que fizermos, estamos sempre com algemas. A liberdade de não fazer uma coisa exige que se faça outra. E, então, já estamos algemados. Isso me faz recordar uma história de Jarry, quando os soldados libertários fazem seus exercícios. O oficial lhes diz: meia-volta à direita. Então, como são libertários, fazem todos obrigatoriamente meia-volta à esquerda. A pintura também é assim.

O que você procura quando pinta, quando esculpe, quando grava?
Eu não procuro, eu acho. Mas, por outro lado, nunca se acaba de procurar, porque nunca se acha.

Desculpe-me, mas creio que não me fiz entender. Gostaria de saber o que você procura expressar em seus quadros?
Quero revelar ao espectador alguma coisa que ele sem mim não poderia descobrir. É por isso que eu insisto na dessemelhança entre o olho direito e o olho esquerdo. Um pintor não devia pintá-los iguais, porque eles não são iguais.

Você, então, não busca agradar?
Todo poeta, todo artista, é um ser anti-social. Não o é voluntariamente, mas não pode ser de outra maneira. Se for um verdadeiro artista, sabe que não pode ser aceito, porque, se for admitido, compreendido, aprovado, isso significará que se tornou um lugar-comum sem valor.

Mas, assim, a sua obra não termina por se dirigir a uns poucos iniciados?
A pintura deve despertar sempre alguma coisa, mesmo em quem não têm o hábito de olhar quadros. Na minha obra, como na de Shakespeare, há sempre pormenores burlescos e mesmo vulgares. Assim, dirijo-me a toda a gente. Não é que eu queira curvar-me diante do público. O que eu quero é oferecer algo a todos os níveis.

É por isso que você opta por temas e motivos cotidianos?
Nós fazemos quadros da mesma forma que os príncipes fazem seus filhos: com as pastoras. Não se faz jamais o retrato do Partenon, não se pinta nunca uma cadeira Luís XIV. O que se faz são quadros que retratam uma pequena casa de campo, um pacote de fumo ou uma velha cadeira.

Há futuro para a arte?
É preciso matar a arte moderna. Isso também quer dizer que é necessário nos matarmos a nós mesmos, se quisermos continuar a fazer alguma coisa.

Saiba mais

Livro
Conversas com Picasso, Brassaï, Cosac & Naify, 2000 - O livro é o resultado da convivência do pintor com o fotógrafo húngaro Gyula Halász, o Brassaï



 Amor
Fonte
Entrevista Com Gente Morta
Abril.com
AVENTURAS NA HISTÓRIA
http://historia.abril.com.br/gente/pablo-picasso-touro-indomavel-434303.shtml
Sejam felizes todos os seres. 
Vivam em paz todos os seres. 
Sejam abençoados todos os seres.

AS MULHERES DE PICASSO


O genial pintor espanhol foi um marido infiel, ciumento e, dizem, um amante eclético. Ele adorava as mulheres.E elas o amavam

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por Mariana Balboni
Poucos viveram paixões tão intensas como Pablo Picasso. Um dos maiores gênios da pintura contemporânea, ele transpôs para as telas seu fascínio pelas mulheres, exaltando sensualidade e erotismo. Protagonizou inúmeras conquistas, foi o namorado amoroso, o amante infiel e o marido cruel. Suas mulheres passavam de deusas, quando apaixonado, a monstros torturados, no fim da relação. Poucas sobreviveram ao término do romance. Mas de uma forma ou de outra, todas influenciaram seus traços, especialmente as sete mulheres com quem conviveu: Fernande, Eva, Olga, Marie-Thérèse, Dora, Françoise e Jacqueline.

Alguns críticos afirmam que o trabalho do pintor está tão relacionado ao seu apego pelo sexo oposto que as fases de sua carreira poderiam ser definidas de acordo com as amantes com quem esteve envolvido. Assim, o neoclassicismo dos anos 20 são os “anos Olga”, as banhistas do começo dos anos 30 marcam a “era Marie-Thérèse”, os retratos do fim dos anos 40, o “período Françoise”.

“Nem tudo em Picasso, é claro, se explica por suas amantes”, diz Carlos von Schmidt, crítico de arte e autor de Na Cama com Picasso. Para ele, as mulheres eram personagens que o autor dispunha de acordo com sua vontade. “As mudanças de estilo do pintor podem ser atribuídas à chegada de um novo amor, ao fim de um antigo romance, ou aos dois ao mesmo tempo.” E isso não é pouco.

Fernande Olivier é a primeira da lista. Conheceu o pintor em 1904, no Bateau-Lavoir, como era chamado o cortiço de madeira que abrigou o primeiro ateliê do artista em Paris. Com 23 anos, era quatro meses mais velha que ele. Elegante, bonita e determinada, viveu com Picasso os anos de pobreza e boemia.

“Mesmo sem influenciar diretamente a obra do artista, foi ela quem lhe proporcionou a estabilidade para fazer a transição entre a chamada fase azul (1901-1904), caracterizada pela tristeza, miséria e morte, e a fase rosa, mais lúdica e alegre, repleta de figuras circenses”, afirma Dominique Dupuis-Labbé, curadora do Museu Picasso em Paris. “Sensual e voluptuosa, ela trouxe felicidade e apaziguou os tormentos de Picasso.”

Fernande viu o jovem indeciso tornar-se o artista que conquistaria o mundo. Em casa, no entanto, ele permanecia inseguro. Ciumento, adorava exibi-la em público, mas a deixava trancada (literalmente) quando saía sozinho. Separaram-se em 1912, quando Picasso já se encontrava com Eva Gouel, uma jovem de 25 anos, casada, que havia conhecido em um circo.

Eva foi, ao que tudo indica, o grande amor do pintor. E ele deixou pública essa paixão, escrevendo em seus quadros da época frases como “Eu amo Eva” e “Minha Formosa”, nome de uma canção que ouvia nas boates de Montmartre nas noites que saía para cortejá-la. O caso de amor foi interrompido prematuramente: Eva morreu de tuberculose, em 1915, deixando o pintor arrasado.

Schmidt, entretanto, afirma que Picasso não foi assim tão devoto a esse amor. “Nos anos com Eva, continuou a ter outras amantes, até mesmo nos meses que antecederam a sua morte”, diz.

Em 1917, Picasso conhece a bailarina russa Olga Koklova, com quem se casa um ano depois. A união com a jovem de 27 anos surpreendeu aos amigos mais próximos, pois era a primeira vez que o pintor se submetia aos caprichos de uma mulher. Possessiva, ciumenta e fútil, Olga queria um universo de luxo que Picasso sempre ridicularizou. Enquanto esteve com ela, o indomável touro espanhol se acalmou, passou a freqüentou a alta sociedade parisiense e a retratar condes, princesas e baronesas.

No início do casamento, ele pintou Olga e o filho Paulo, nascido em 1921. Mas logo veio a crise conjugal e os reflexos sobre suas pinturas. “Aparecem as primeiras marcas das deformações da década seguinte”, diz Dominique. Com brigas e reconciliações, a relação durou até 1935, quando Picasso a deixou. Mas eles nunca se divorciaram. Olga morreu de câncer em 1955.

Marie-Thérèse Walter entrou na vida do pintor numa tarde de janeiro de 1927, quando passeava perto das Galeries Lafayette, lojas de departamento parisienses. Com 17 anos e muito simples, não tinha a menor idéia de quem era o artista, nem de como ele viria a transformar sua vida. Era atraente e loira, com lindos olhos azuis.

No dia em que completou 18 anos, Picasso, com 46, a levou para cama. Tornou-se sua eterna amante, a menina-mulher que realizou todos os seus desejos eróticos e fantasias sexuais. Segundo Schimidt, ela era submissa e dependente, satisfazia-o sem complicações, experimentando do sadismo ao masoquismo. Nunca moraram juntos, mas mantiveram uma relação pelo menos até 1943. Costumava visitá-la toda semana, com o consentimento da mulher que estivesse ao seu lado oficialmente. Escreveu-lhe cartas de amor diariamente, por longos períodos. Em 1935, tiveram uma filha, Maria de la Concepcion, apelidada de Maya e nunca reconhecida.

A amante clandestina teve forte presença nas obras de Picasso, que exaltou as linhas e formas sensuais de seu corpo em obras de grande erotismo. Inspirou também duas figuras femininas de Guernica, o célebre painel que denuncia as atrocidades da guerra civil espanhola. Enforcou-se em 20 de outubro de 1977, quatro anos depois de Picasso morrer.

No inverno de 1936, uma mulher morena de cabelos pretos e olhos verdes, sentada no Deux-Magots, restaurante que o pintor freqüentava, lhe chamou a atenção. Dora Maar era atraente e não convencional. Pintora, fotógrafa e inteligente, foi amante de Picasso por sete anos. Incentivou-o a assumir posicões políticas contra os governos de força, e em 1937 teve papel fundamental na execução de Guernica. Ela fotografou passo a passo a produção, ajudou a concebê-lo e até a pintá-lo.

Passaram juntos os anos de ocupação da França na Segunda Guerra, quando Picasso foi proibido de realizar exibições. No período, Dora aparece em vários telas. As mais marcantes mostram uma mulher desfigurada, chorando.

Foi a amante que mais sofreu com a separação. Trocada por Françoise Gilot, entrou em processo esquizofrênico e foi internada num hospital para doentes mentais. Depois, passou anos reclusa num convento. Morreu sozinha em seu apartamento, em Paris, aos 90 anos.

Picasso conheceu sua nova companheira, Françoise, em 1943, no restaurante La Catalan, enquanto jantava com Dora. Encantou-se com a estudante de cabelos ruivos e grandes olhos verdes. Ela tinha 21 anos. Picasso, 62. Tiveram dois filhos, Claude, nascido em 1947, e Paloma, em 1949. Retratada como a mulher-flor, Françoise era sua nova modelo, a deusa da luz e da fecundidade.

A vida com Picasso trouxe momentos apaixonantes e extremamente criativos, mas também lhe apresentou a angústia e a frustração. Dominador, possessivo e mulherengo, continuava pregando o amor livre. Ela conviveu com as visitas semanais de Picasso à Marie-Thérèse, com as loucuras de Olga e a autodestruição de Dora Maar.

A crescente indiferença do pintor e a tensão entre o casal colocaram um ponto final no relacionamento de dez anos. Em 1953, fez as malas e partiu com as crianças, deixando um Picasso perplexo. Foi a única mulher que mostrou determinação para abandoná-lo. Em 1964, publicou Life with Picasso – The Love Story of a Decade (Vida com Picasso – A História Romântica de uma Década). Em suas memórias, ela se retrata como uma jovem seduzida, manipulada e traída por um sádico Picasso. Ultrajado, o pintor tentou proibir a circulação do livro. Não conseguiu, mas desde aquele momento nunca mais recebeu os filhos.

Jacqueline Roque foi a última mulher de Picasso. Moraram juntos por 20 anos, até a morte do pintor, em 1973.

Conheceram-se quando Picasso ainda vivia com Françoise, em 1952. Era jovem e bonita, como todas as musas do artista.Tinha cabelos negros, olhos azuis e feições marcadas por traços fortes. Para Schmidt, Jacqueline foi “arrumada” para Picasso pelo casal Remié, amigos de longa data do pintor : “Com 71 anos, ele era um ótimo partido para uma mulher de 26, divorciada e com uma filha”. Em 1961, casaram-se.

Jacqueline tornou-se secretária, agente, enfermeira, protetora e controlou a vida do pintor, isolando-o de amigos e familiares. Cultivava uma veneração doentia pelo marido, tratando-o respeitosamente de monseigneur (meu senhor). Musa dos últimos anos, foi a mulher que Picasso retratou de forma mais obsessiva e com quem mais produziu. Para ela, Picasso deixou em testamento, uma fortuna estimada em 250 milhões de dólares.

Mas o dinheiro não lhe poupou de um fim trágico. Matou-se em 1986, com um tiro na cabeça.

Picasso exercia um magnetismo tão grande sobre suas amantes que a vida realmente deixava de fazer sentido sem ele. Costumava se retratar como um minotauro, um ser monstruoso, fruto de amores que vão além do entendimento, protagonista de relações violentas, eróticas e cruéis. Foi essa sexualidade selvagem que transpirou pelo desenho de suas mulheres. Na Paris do século passado, Picasso devorou pessoas e eventos com grande paixão, e transformou-as em arte.

Na cama e na tela

As musas que fizeram a cabeça de Picasso
Fernande Olivier (de 1904 a 1912)
Elegante, bonita e determinada, tinha 23 anos quando conheceu Picasso. Viveu com ele os anos de pobreza e boemia. Deixou-o em 1912, mas nunca superou a separação. Morreu pobre e sozinha em 1956

Nu deitado (Fernande), 1906
Além de posar para Picasso, ela lhe proporcionou estabilidade e segurança para experimentar novas cores e estilos, o que acabou sendo a transição entre a fase azul, caracterizada pela tristeza, miséria e morte, e a fase rosa, mais lúdica e alegre, repleta de figuras circenses. Foi sua musa até o início da fase cubista

Eva Gouel (de 1911 a 1915)
Tinha 25 anos quando conheceu Picasso. Era delicada, sensível e casada. Mas logo trocou o marido pelo pintor. Morreu de tuberculose, em 1915, deixando Picasso arrasado

Violão “Eu Amo Eva”, 1912
Eva não chegou a posar para Picasso que, nessa fase, não retratava pessoas. No entanto, ele não deixou de manifestar sua paixão escrevendo em vários quadros cubistas “Eu amo Eva”

Olga Koklova (de 1917 a 1935)
Casou-se com Picasso em 1918, aos 27 anos. Possessiva, fútil e ambiciosa, manteve a união estável até a chegada do filho, Paulo, em 1921. As brigas violentas levaram à separação. Desequilibrada, por anos perturbou o pintor e suas amantes. Morreu de câncer em 1955

Olga Koklova em uma Poltrona, 1917
Quis transformar Picasso no artista da alta sociedade parisiense. Durante os “anos Olga”, ele chegou a retratar condes, princesas e baronesas, retornando ao período clássico

Marie-Thérèse Walter (de 1927 a 1943)
Marie-Thérèse Walter conheceu Picasso aos 17 anos. Atraente, loira e com lindos olhos azuis, foi a eterna amante do pintor. Em 1935, tiveram uma filha, Maya. Sempre dependeu do artista. Enforcou-se em 1977, quatro anos após sua morte

Moça em frente do espelho, 1932
A amante clandestina teve forte presença nas obras de Picasso, que exaltou as linhas e formas sensuais de seu corpo voluptuoso em obras de grande erotismo. A “era Marie-Thérèse” marcou a fase lírica, sensual e surrealista

Dora Maar (de 1936 a 1944)
Amante de Picasso por oito anos, era inteligente e bonita. Morena de olhos verdes, foi musa dos surrealistas e também pintora e fotógrafa. Das mulheres do artista, foi a que mais sofreu com a separação. Chegou a viver internada em sanatórios e conventos, e morreu sozinha aos 90 anos

A Mulher Chorando, 1937
Teve papel fundamental na execução de Guernica. Acompanhou, fotografou e até chegou a ajudar Picasso a pintar o mural. No início dos anos 40, suas feições estão presentes em vários trabalhos, principalmente os que mostram uma mulher desfigurada, chorando

Françoise Gilot (de 1943 a 1953)
O pintor com 62 anos, encantou-se pela estudante de 21, cabelos ruivos e olhos verdes. Com os dois filhos, Claude e Paloma, viveram uma serena união familiar por dez anos. Mas, em suas memórias, diz-se uma jovem seduzida, manipulada e traída por Picasso

Mulher numa Poltrona, 1946
Retratada como a mulher-flor, foi sua modelo durante o fim dos anos 40, que ficaram conhecidos como “período Françoise”

Jaqueline Roque (de 1952 a 1973)
Foi a última mulher de Picasso. Moraram juntos por 20 anos, até a morte do pintor, em 1973. Era jovem e bonita, tinha cabelos negros, olhos azuis e feições marcadas por traços fortes. Cultivava uma veneração pelo marido e afastou-o de familiares a amigos. Suicidou-se em 1986

Retrato de Jaqueline Roque com as Mãos Cruzadas, 1954
Musa dos últimos anos, foi a mulher que Picasso retratou de forma mais obsessiva e com quem mais produziu. Era também sua secretária e agente, cuidava das exposições, das galerias e dos marchands

Saiba mais

Livros
Na Cama com Picasso, Carlos von Schmidt, Artes/Digital, 1997 - Leitura agradável, com passagens picantes
Life with Picasso, Françoise Gilot & Carlton Lake, Anchor, 1989 - Memórias da ex-mulher de Picasso sobre a vida do casal. Dá para entender porque o pintor tentou impedir a publicação do livro

Site
www.musee-picasso.fr
Inclui análises de especialistas sobre a influência das mulheres na vida e na obra do artista. Em francês



 Amor
Fonte
Abril.com
AVENTURAS NA HISTÓRIA
http://historia.abril.com.br/gente/mulheres-picasso-433643.shtml
Sejam felizes todos os seres. 
Vivam em paz todos os seres. 
Sejam abençoados todos os seres.

PINTURA : AS APARÊNCIAS ENGANAM


Desde que pinturas passaram a valer milhões, é preciso tomar muito cuidado para não confundir um Picasso com um picareta: alguns falsificadores se tornaram verdadeiros mestres na arte de copiar

por Sérgio Miranda
Henricus Anthonius van Meegeren nasceu em Deventer, na Holanda, em 10 de outubro de 1899. Contra a vontade do pai, que desejava fazer do filho um arquiteto, ele decidiu se dedicar à pintura. Aos 14 anos, ganhou uma medalha de ouro em um concurso de desenho. Em pouco tempo, passou a ensinar como professor assistente em cursos de Arte. Aos 18 anos, apresentou sua primeira exposição de pinturas.

Em 1921, ficou três meses na Itália estudando os mestres renascentistas e, no ano seguinte, realizou uma exposição de suas telas sobre temas bíblicos na cidade holandesa de Haia – todas as obras foram vendidas. Em 1927, alcançou uma boa avaliação em uma casa de leilões com sua tela O Cervo. Mas, mesmo dotado de indiscutível talento, Van Meegeren esbarrou nos críticos de arte. Seu estilo, na visão deles, era muito antiquado, incompatível com os novos rumos da pintura. Acabou marginalizado.

Em setembro de 1937, entretanto, um quadro pintado por Van Meegeren atraiu uma multidão ao Museu Boymans de Roterdã, na Holanda. As pessoas queriam ver Cristo e os Discípulos em Emaús. A obra era tecnicamente perfeita, mas, em vez de ser assinada pelo autor, trazia o nome de Jan Vermeer, genial pintor holandês que viveu entre 1632 e 1675. Sem conseguir ser reconhecido como um grande nome da pintura, Van Meegeren tinha resolvido pegar outro grande nome emprestado.

A farsa funcionou perfeitamente. O museu apresentou o quadro ao público como um trabalho inédito de Vermeer. O festejado crítico Abraham Bredius, especialista nesse pintor, havia sido chamado para dar um parecer sobre a tela. O “papa”, como era conhecido por sua influência no mundo da pintura, publicou sua opinião na revista Burlington: “É um momento maravilhoso na vida de um amante da arte quando se encontra confrontado com uma pintura desconhecida de um grande mestre, intocada, na lona original, e sem nenhuma restauração, exatamente como deixou o estúdio do pintor! Temos aqui – sou inclinado a dizer – a obra-prima de Jan Vermeer.”

A declaração de Bredius bastou para confirmar a autenticidade da tela. A Sociedade Rembrandt acabou adquirindo a pintura, para em seguida doá-la ao próprio Museu Boymans. Pagou o equivalente hoje a 1,8 milhão de libras (cerca de 6,5 milhões de reais) ao agente que Van Meegeren tinha encarregado de vender o quadro.

A capacidade de imitar com perfeição o estilo de Vermeer acabou fazendo com que Van Meegeren se envolvesse com gente meio barra-pesada. Em 1943, em plena ocupação da Holanda pelos nazistas, um alto oficial alemão pagou 4 milhões de libras em valores de hoje (perto de 15 milhões de reais) por Cristo e a Adúltera. A tela, mais uma falsificação de Van Meegeren atribuída a Vermeer, foi comprada pelo marechal Hermann Goering, um dos preferidos de Adolf Hitler. Depois de chamar seu secretário e determinar que o quadro fosse enviado à sua vila em Berchtes-gaden, no sul da Alemanha, o satisfeitíssimo Goering teria dito: “Enfim, conquistei a Holanda”.

Em maio de 1945, após a rendição dos alemães e o fim da Segunda Guerra na Europa, os aliados encontraram as 1 200 obras de arte da coleção particular de Goering – a maioria delas tinha sido adquirida em pilhagens feitas ao longo do conflito. Lá descobriram Cristo e a Adúltera, e o processo de investigação sobre a pintura levou à prisão de Van Meegeren, que havia se tornado um próspero colecionador de arte. Interrogado, ele alegou que sua fortuna se originava da venda de alguns quadros de Vermeer adquiridos de famílias italianas. Não convenceu. A justiça holandesa decidiu acusá-lo de colaborar com o nazismo durante a ocupação de seu país – crime para o qual era prevista a pena de morte.

Duas semanas depois de ter sido detido, Van Meegeren defendeu-se da acusação de colaboracionista dizendo que ele próprio tinha pintado Cristo e a Adúltera. Assim, reivindicava para si o status de herói nacional, pois havia ludibriado o poderoso Goering. Para fundamentar seus argumentos, confessou ter pintado mais cinco Vermeers falsos, além de quadros atribuídos a outros artistas, colocados no mercado de arte a partir de 1937. O mais célebre desses trabalhos era justamente Cristo e seus Discípulos em Emaús, orgulho do Museu Boymans.

Originalidade
Van Meegeren nunca copiou nenhuma obra de Vermeer. A única coisa que ele falsificava era a assinatura do mestre holandês. Para parecerem autênticos, os trabalhos eram feitos sobre telas de pintores desconhecidos do século 17 – com uma pedra de polir, a pintura original era cuidadosamente removida. Além disso, assim como Vermeer, Van Meegeren construiu pincéis com pêlos de texugo e criou suas tintas com misturas moídas a mão. Para dar o efeito de rachaduras na pintura, usava resina. Por fim, jogava pó de tinta na pintura, simulando envelhecimento.

No tribunal, Van Meegeren disse que tinha resolvido produzir falsos Vermeers para se vingar dos críticos de arte. No fim dos anos 20, ele escrevia artigos e ilustrava capas para a De Kemphaan, revista fundada em 1928 para se opor ao vanguardismo e valorizar a pintura tradicional. Mas, diante do sucesso de movimentos como o dadaísmo, que proclamavam a morte da arte clássica, a publicação fechou suas portas após dois anos de existência. Indignado, Van Meegeren se mudou, em 1932, para Roquebrune, no sul da França. Ali, colocou sua habilidade a serviço da falsificação.

Como uma espécie de exercício, produziu primeiramente quatro pinturas – não vendidas – em estilo do século 17, duas delas à moda de Vermeer: Tocador de Guitarra e Mulher em Leitura de Música. Após essa primeira experiência, ganhou confiança suficiente e pintou, em 1936, o Cristo e os Discípulos em Emaús, considerado o mais perfeito de seus trabalhos. Depois que o quadro foi aceito unanimemente como um Vermeer autêntico, Van Meegeren estava decidido a ir a público assumir a farsa. Assim, demonstraria que a crítica de arte, tolerante com os vanguardistas, era ignorante e incapaz de julgar o bom e o ruim. Mas, quando viu que poderia enriquecer com as falsificações, desistiu da idéia original.

O tribunal decidiu investigar a versão de Van Meegeren. Na vila em que ele vivia, as autoridades acharam pedaços da mesma madeira usada no suporte da tela exposta no Museu Boymans. Foi o suficiente para que a corte o autorizasse a demonstrar o que estava dizendo. Entre novembro e dezembro de 1945, o réu foi colocado em uma casa alugada pelo governo e observado 24 horas por dia por seis testemunhas. Com os materiais e as técnicas que havia usado para as outras pinturas, Van Meegeren pintou – confiando somente em sua própria imaginação – uma tela que chamou, ironicamente, de Jesus entre os Doutores.

Durante os dois anos seguintes, o julgamento ganhou pitadas de sensacionalismo.

Várias das obras de Van Meegeren eram mostradas na corte durante as audiências. O pintor se mostrou desapontado por não receber reconhecimento de artistas e críticos quando assinava com seu próprio nome, embora fosse capaz de fazer uma tela valiosíssima no estilo do século 17. Ao fim do julgamento, a acusação de colaboracionista havia sido retirada e Van Meegeren virou uma espécie de herói nacional. Pelo crime de falsificação, entretanto, foi condenado a um ano de prisão. Com 58 anos de idade e a saúde abalada pelo alcoolismo, Van Meegeren foi hospitalizado e morreu um mês mais tarde, de ataque cardíaco. Não chegou a cumprir sequer um dia da sentença.

O caso de Van Meegeren evidenciou um dilema que dura até hoje. O que vale mais: a obra em si ou quem a teria feito? Não deveríamos avaliar uma pintura por seus componentes internos, como pinceladas, perspectiva e cores? Cada vez que se descobre uma obra falsa que era tida como verdadeira, essa questão ressurge. E, embora exista tecnologia avançada para evitar fraudes (veja quadro acima), os falsificadores continuam atuando. “De algumas décadas para cá, eles chegaram a um ponto em que fica difícil, mesmo para um bom especialista, perceber a diferença entre uma obra autêntica e uma falsa”, diz o pesquisador Patrick Laycock, do Laboratório de Arte de Bruxelas, um dos mais equipados do mundo.

Ele afirma que, neste início de século 21, entramos na era das “falsificações científicas”: os pilantras acompanham o desenvolvimento dos métodos de investigação e desenvolvem técnicas para tentar burlar os novos exames à medida que eles surgem.

Prenda-me se for capaz

Jansen tinha 13 estúdios para copiar 13 pintores
Nos anos 80, o comerciante de obras de arte holandês Geert Jan Jansen arrumou um jeito fácil de ganhar dinheiro. Ele vendia reproduções de gravuras do pintor expressionista Karel Appel como se fossem originais. Para enganar os clientes, adicionava uma assinatura falsa do artista holandês aos pôsteres. Mais tarde, o falsário resolveu pintar ele mesmo obras copiando Appel. Aos poucos, incluiu no seu repertório nomes como Matisse, Miró e Picasso. Jansen aprendeu a imitar com perfeição a técnica de cada um deles, usando os mesmos tipos de pincel, tela e tinta. Junto às obras forjadas, ele enviava uma declaração datilografada, selada e assinada por um especialista, garantindo sua autenticidade. Tudo falso, obviamente.

Mas um erro de grafia no certificado de uma pintura fez com que as autoridades holandesas fossem acionadas. Antes de ser localizado, Jansen conseguiu fugir para a França, onde comprou uma casa com 13 salões e, em cada um deles, montou um estúdio dedicado a falsificar um artista específico. Sob o nome de Jan van der Bergen, ele continuou no mercado de arte, até ser preso em 1994. Durante um ano e meio, Jansen ficou detido aguardando julgamento na França. Condenado por fraude, teria que ficar mais seis meses na cadeia.

Mas, ao conseguir liberdade condicional, se mandou para Amsterdã, onde resgatou 100 obras escondidas. Desde então, boa parte delas já foi vendida na Europa – ele não revela para quem. “Não faço pinturas falsas. As minhas são autênticas. Afinal, foram aprovadas por especialistas em Paris, Londres...”, disse o irônico Jansen no documentário Arte Cobiçada, de 2003 (exibido ano passado no Brasil pelo Discovery Channel). Quando prendeu o holandês, há mais de dez anos, a polícia francesa recolheu 1 600 obras. Todas deveriam ter sido destruídas, mas Jansen garante que muitas são verdadeiras. Como as autoridades não conseguem identificar as autênticas, Jansen já foi convidado a ir a Paris para buscar as telas originais. O problema é que, uma vez na França, ele teria que cumprir o resto da pena – e não está nem um pouco inclinado a fazer isso.

Em nome do filho

Telas  falsas  de  Myatt  continuam expostas por aí
O anúncio, publicado na revista inglesa Private Eye em 1985, era bem direto: “Vendo pinturas falsas dos séculos 19 e 20 por 240 libras”. Após ser deixado pela esposa, foi essa a alternativa encontrada pelo britânico John Myatt para poder trabalhar em casa e cuidar sozinho do filho pequeno. E funcionou: as “falsificações autênticas” atraíram uma boa clientela e acabaram por despertar a atenção de John Drewe, influente colecionador de obras de arte da Inglaterra. O novo cliente chegou a encomendar dez obras em um único ano. Mais tarde, Drewe revelou a Myatt que a conceituada casa de leilões Christie’s, de Londres, aceitara um quadro dele como autêntico e o comprara por 25 mil libras.

De olho na multiplicação dos lucros, o pintor passou a trabalhar quase que exclusivamente para o colecionador. Durante quase uma década, produziu 200 falsificações de mestres como Matisse, Chagall e Van Gogh. Em setembro de 1995, a polícia chegou até Myatt, que confessou ser o autor das cópias. Em abril de 1996, policiais invadiram a galeria de Drewe, onde encontrou material usado para forjar certificados de autenticidade das telas.

O colecionador havia, inclusive, alterado a documentação de obras genuínas para ligá-las às falsificações. Após ficar dois anos preso, o colecionador desapareceu do mercado de arte. Já Myatt foi condenado a um ano de cadeia, do qual cumpriu só quatro meses. Hoje, ele pinta e expõe seus próprios trabalhos, mas ainda aceita algumas encomendas para uso privado.

Dos quadros que Myatt fez para Drewe, apenas 80 foram identificados pela polícia, em casas de leilão e galerias de arte londrinas. Mais de 100 das falsificações continuam à venda no mercado de arte ou exibidas ao público como se fossem verdadeiras. Talvez até você, leitor, já tenha visto uma delas numa exposição. “Não entendo por que tanto barulho em torno disso”, disse Myatt em Arte Cobiçada. “Esse é um crime que não faz vítima. Quando o trabalho é bem feito e a pintura é vendida por um bom preço, ela adquire vida própria e vai continuar sendo comercializada. Ninguém perde.”

O sumiço da odalisca

Dentro do museu, obra de Matisse foi trocada por uma cópia grosseira                                                           
O jornalista venezuelano Edgar Moreno não acreditou quando um amigo lhe contou que uma das obras-primas do Museu de Arte Contemporânea de Caracas estava sendo vendida em Miami, nos Estados Unidos. No mesmo dia, no fim de 2002, Moreno foi ao museu e verificou que Odalisca com Pantalonas Vermelhas, do francês Henri Matisse, continuava no mesmo lugar. Aliviado, contou a história para a diretora da instituição, Rita Salvestrini. Mas, dois dias depois, a diretora anunciou que o museu estava expondo um quadro falso. “Fiquei chocada quando descobri que mostrávamos uma falsificação grosseira como se fosse verdadeira”, disse Rita em Arte Cobiçada. Não se sabe de que forma a obra original saiu do museu, nem como foi trocada pela falsa. Segundo os investigadores, pelo menos um funcionário teria colaborado.

A data do sumiço é desconhecida, mas a polícia já sabe que o quadro foi oferecido a negociantes franceses que visitaram Nova York em outubro de 2000 – um documento assinado por supostos funcionários do museu de Caracas autorizava a venda. Em dezembro de 2001, em Paris, Vanda Idibrian, especialista em Matisse, foi chamada para confirmar a procedência da obra. Mesmo reconhecendo-a como autêntica, recusou-se a fornecer qualquer certificado. Ela sabia que a pintura pertencia ao museu de Caracas. Vanda afirma ter relatado o fato à instituição, que não tomou providência.

O Odalisca com Pantalonas Vermelhas original foi visto pela última vez em dezembro de 2002, logo após a denúncia ter sido confirmada pelo museu. Naquela época, uma mulher não-identificada retirou a pintura de um guarda-volumes especializado em obras de arte e fugiu dos Estados Unidos. As polícias americana, venezuelana e de vários países europeus ainda investigam o caso. Se ainda não foi vendido, o quadro deve estar escondido, na expectativa de que a história esfrie.

Arte popular

Confira a listados pintores mais falsificados
1. Salvador Dalí
O surrealista espanhol é o preferido dos falsários. O próprio Dalí colaborou para isso, pois vendia telas em branco assinadas. Seu secretário chegou a ser preso, acusado de falsificar 10 mil gravuras.

2. Henri Matisse
No fim da vida, o francês se envolveu com uma arrumadeira, que acabou se tornando especialista na obra de Matisse. Suspeita-se que ela tenha enriquecido autenticando quadros que não foram pintados por ele.

Via a falsificação com tranqüilidade. Certa vez, um comerciante de arte mostrou ao espanhol uma cópia de um de seus trabalhos. O pintor exclamou: “Você pagou tudo isso?! Então deve ser autêntico!”

4. Joan Miró
O uso limitado de cores e padrões facilita a reprodução dos quadros do catalão. Além disso, os materiais utilizados pelo artista (e por pintores modernos em geral) continuam disponíveis em lojas.

5. Marc Chagall
Cuidadoso com sua obra, tinha profunda preocupação em ser copiado. Junto com seu advogado, o pintor francês nascido na Bielo-Rússia fazia questão de perseguir os falsificadores de suas pinturas.

Olho clínico

A tecnologia usada pelos caçadores de imitações
Nos mínimos detalhes
Um dos melhores jeitos de pegar um falsário é achar áreas retocadas – elas dão boas pistas sobre o ato de falsificar. Acima, um técnico do Instituto Doerner, na Alemanha, analisa com o microscópio uma cópia de um quadro do germânico Lucas Cranach (1472-1553).

Através das tintas
O scanner infravermelho é um aparelho que revela as camadas inferiores da pintura. Ao usar esse tipo de luz, os especialistas conseguem ver, por exemplo, se o falsificador fez um esboço do quadro original e, posteriormente, o cobriu com tinta.

Fase azul
Ao ser exposta à iluminação ultravioleta, a pintura se torna fluorescente. Mas as partes retocadas se mantêm escuras. É o que acontece no canto superior direito da falsificação vista acima.

Saiba mais

FILME
Moça com Brinco de Pérola, Peter Webber, 2003
Com belíssima fotografia, retrata Vermeer e sua época ao contar a história do quadro que dá nome ao filme, considerado a Mona Lisa holandesa.

SITES
www.tnunn.f2s.com/vm-main.htm
Descreve, com boas imagens e detalhes técnicos, como Van Meegeren foi capaz de inventar quadros idênticos aos pintados por Vermeer.

www.johnmyatt.com/
Página de Myatt, em que ele conta sua história e vende telas inspiradas em mestres da pintura.
 Amor
Fonte
Abril.com
AVENTURAS  NA HISTÓRIA
http://historia.abril.com.br/cultura/pintura-aparencias-enganam-434595.shtml
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

1473 - NASCE NICOLAU COPÉRNICO

Calendário Histórico

Em 19 de fevereiro de 1473 nasce Nicolau Copérnico, que descreveu o sistema heliocêntrico, segundo o qual o Sol é o centro do sistema solar e a sucessão de dias e noites deve-se à rotação da Terra sobre o próprio eixo.

Não foi fácil para o papa Gregório 16 pegar na pena para admitir um grande erro de seus antecessores. A verdade era evidente demais e não podia continuar sendo negada.

De revolutionibus orbium coelestium libri VI (Das Revoluções dos Mundos Celestes) havia sido publicado no ano da morte de Copérnico, e quase 300 anos depois, em 1835, foi retirado pelo Papa do index de obras blasfemas da Biblioteca do Vaticano. Nicolau Copérnico tentava provar em seu livro a teoria de que o Sol era o centro do sistema solar.

Natural de Torum, hoje território polonês, Copérnico ficou órfão cedo, sendo criado por um tio. Em 1491, ingressou na Universidade de Cracóvia para cursar Medicina. Também estudou Filosofia, Matemática e Astronomia e se interessou pelo Humanismo.

Viajou para a Itália em 1497 para aprender os clássicos gregos e o Direito Canônico em Bolonha. Voltou à Polônia em 1501 e ordenou-se padre, mas permaneceu pouco tempo no país, como cônego da Catedral de Frauenburg.

Observação dos corpos celestes
Em 1506, construiu um pequeno observatório e começou a estudar o movimento dos corpos celestes. A partir dessas observações, escreveu o Pequeno Comentário sobre as Hipóteses de Constituição do Movimento Celeste, que só se tornou público em 1530, apesar de ter sido escrito muito antes, por volta de 1507.

Copérnico demorou a divulgá-lo por receio da reação da Igreja Católica, a qual respeitava e temia. De volta à Itália, frequentou as universidades de Pádua e Ferrara. Em Bolonha, aprofundou suas observações astronômicas.

Em 1543, pouco antes de morrer, na cidade de Frauenburg (hoje Polônia) apresentou o sistema cosmológico com os princípios do heliocentrismo na obra Das Revoluções dos Mundos Celestes. Ao afirmar que a Terra se move em torno do Sol, refutou o sistema de Ptolomeu e a idéia que o homem da época fazia de si mesmo: feito à imagem e semelhança de Deus e, portanto, centro do Universo.

Embora não seja criador do heliocentrismo (defendido poucos anos antes por Nicolau de Cusa e, na Antiguidade, por Aristarco de Samos), Copérnico foi o autor do primeiro tratado de astronomia heliocêntrica capaz de rivalizar com o Almagesto de Ptolomeu, que vinha regendo a astronomia há quase 14 séculos, com o aval da Igreja Católica.

Temor da reação da Igreja
Copérnico demonstrou o duplo movimento dos planetas, em torno de si mesmos e em torno do Sol, concepção que seria fortalecida pelas observações de Galileu Galilei no século seguinte, e permitiria a emancipação da cosmologia em relação à teologia. Para ele, o movimento dos planetas era circular e uniforme.

Em 1609, Johannes Kepler descobriu as órbitas planetárias elípticas. Temendo represálias por parte da Igreja Católica, na época abalada pela Reforma Protestante, Copérnico relutou em publicar seu trabalho, só o permitindo após os apelos de um discípulo, o matemático Rethicus.

Tentando amortecer o impacto que causaria, o livro foi dedicado ao papa Paulo 3º e continha um prefácio afirmando que ele não apresentava nada de novo e servia apenas para facilitar o uso das tábuas planetárias.
Isso colocou em dúvida por muitos anos a reputação de Copérnico, mas Kepler, em 1609, descobriu que o prefácio provavelmente não foi visto pelo matemático.

Somente em 1687, Isaac Newton conseguiu provar, através da física, que o movimento dos planetas em torno do Sol é consequência do fenômeno gravitacional.
Jens Teschke (rw)

 Amor
Fonte
DW.WORLD.DE
DEUSTCHE WELLE
Destaque - Brasil
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,301115,00.html?maca=bra-newsletter_br_Destaques-2362-html-nl
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

VIDA ALIENÍGENA ERRANTE




Segundo um novo estudo, planetas semelhantes à Terra com núcleos tumultuados podem suportar vida, mesmo que não tenham estrelas. 

Os pesquisadores apelidaram esses mundos de “planetas Steppenwolf” [Steppenwolf é o nome de uma banda de rock cujo sucesso foi a canção “Born to be Wild”, em português, “nascido para ser selvagem”], porque toda a vida neste habitat estranho existiria como um lobo solitário vagando pelas estepes da galáxia, e porque eles nasceram para ser selvagens.

Esses planetas foram expulsos de seus sistemas solares, o que aparentemente é comum em todo o cosmos. A água líquida é geralmente considerada um pré-requisito para a vida, e eles poderiam abrigar oceanos de água líquida, desde que o núcleo do planeta fosse aquecido e a água estivesse enterrada sob uma camada protetora de gelo. 

Um planeta 3,5 vezes o tamanho da Terra, com composição semelhante à Terra e idade mais ou menos parecida, poderia, teoricamente, manter um oceano líquido subglacial. Se ele tiver cerca de 10 vezes mais água do que a Terra ou uma atmosfera muito espessa, só precisaria ter cerca de 0,3 vezes o tamanho da Terra; isso é um pouco maior do que Marte e menor que Vênus.

Assim como a Terra, o planeta Steppenwolf precisaria de um manto para manter o calor geotérmico, sustentando pelo menos um pouco da água na forma líquida. Isso é diferente das forças de maré que mantêm os oceanos do satélite Europa líquidos, de modo que o planeta poderia existir sozinho, sem estrelas ou planetas vizinhos para mantê-lo aquecido.

Há um monte de fatores desconhecidos, incluindo as funções de convecção e condução em transferência de calor. Porém, a teoria continua sendo interessante: esse tipo de planeta poderia ser uma maneira de espalhar a vida por todo o universo. Os cientistas ressaltam que, se eles cruzarem nossa vizinhança, seremos capazes de vê-los através de telescópios poderosos. Quem sabe esse é um bom começo.

 Amor
Fonte
[POPSCI
http://hypescience.com/planetas-que-escaparam-de-seus-sistemas-poderiam-abrigar-vida-alienigena/
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O MENINO QUE TIROU A SEDE DE MEIO MILHÃO DE AFRICANOS :

 

                     SEMENTES ESTELARES EM AÇÃO NA TERRA !

                             ESTE É O CAMINHO DA ASCENSÃO !!!

MESTRA NADA NOS DIZ QUE, SEM QUE O SAIBA, RYAN FAZ PARTE DO PROJETO 'CARAVANA DO ARCO-ÍRIS',  INSTAURADO NA TERRA DESDE A DÉCADA DE 90, QUE, TENDO SIDO CUIDADOSAMENTE ESTUDADO PELOS MESTRES E SERES DE LUZ, VEM SENDO SUSSURRADO AOS JOVENS SEMENTES ESTELARES QUANTO AQUILO QUE FAZ PARTE DA SUA PROGRAMAÇÃO DE VIDA, TRAÇADA ANTES DO NASCIMENTO.

TAMBÉM NOS REVELA QUE ESTE PROJETO ESTÁ INICIANDO A ABRIR AS COMPORTAS DE UMA IMENSA CORRENTEZA DE BENEFÍCIOS QUE ESTÃO SENDO AUTORIZADOS PELO GOVERNO DIVINO , EM PROL DA NOVA ERA DA TERRA, EM CICLO DE REGENERAÇÃO.

ELA NOS AVISA EXATAMENTE AGORA QUE ESTA PROGRAMAÇÃO. QUE VEM SENDO DEBATIDA, IMPLANTADA, SEDIMENTADA E REGISTRADA EM ATAS DAS REUNIÕES DO PARLAMENTO ESPIRITUAL DA TERRA, COMPOSTO POR TODA A GRANDE FRATERNIDADE BRANCA UNIVERSAL E MILHARES DE SERES LIGADOS A VÁRIOS ÂMBITOS INTERGALÁCTICOS, VAI SER, A CADA DIA, MAIS VISÍVEL À HUMANIDADE QUE CONTINUARÁ AINDA A VIVER  NA TERRA  EM INÍCIO DE REGENERAÇÃO COLETIVA.


                                          Leia na íntegra e veja a história de Ryan em:
                                            http://rosane-avozdoraiorubi.blogspot.com

                                                          Rosa vermelhaRosa vermelhaRosa vermelhaRosa vermelhaRosa vermelhaRosa vermelhaRosa vermelhaRosa vermelha

 Amor


Fonte:
                                            http://rosane-avozdoraiorubi.blogspot.com

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Dori'

Doriana Tamburini

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toda 6ª feira às 21:00 co m chat ao vivo!

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